Jornalista Inês Marzano

Sunday, April 09, 2006

Como escrever no estilo da Web

As livrarias detém um grande espaço de livros dedicados a títulos sobre a Web, a maior parte das estantes está lotada de livros sobre software para a Web, como usar a Internet para pesquisas, linguagens de programação, projeto de home pages, etc. Mas sobre conteúdo , sobre como produzir as palavras e imagens que compõem o que os usuários encontram na Web não há muita opção.

Assim está o mercado de livros sobre a Internet. As editoras publicam inúmeros livros sobre tecnologia para a Web, mas o conteúdo para a Interntet continua a ser uma menor fatia no mercado literário. Mas está havendo uma mudança, pois, alguns autores já insistem em publicar livros de conteúdo para a Web.

Um dos poucos livros dessa pequena fatia do mercado literário, o “Escrevendo para a Web”, do escritor e professor universitário canadense Carwford Killian (Self-Counsel Press, 1999), foi lançado há algumas semanas. È um trabalho bem sucinto, com 139 páginas incluindo os apêndices e oferece uma visão geral sobre como escrever para sites na Web e a diferenciação de texto para as velhas mídias.

O livro é uma boa escolha, tendo o autor Killian ensinado redação em diversas formas por mais de 30 anos. Nos últimoa anos, ele vem dando um curso de redação para a Web aos seus alunos no Capilano Community College, Colúmbia Britância, Canadá.

Conforme Killian, a Internet como mídia editorial é inovadora, portanto a maior parte dos internautas criam seus próprios estilos. Existe o plágio dos primeiros escritores da Web inevitavelmente. Nas empresas jornalísticas vindas da mídia tradicional são reaproveitados conteúdos de seus negócios mais antigos (jornais, revistas, etc) sem adaptar apropriadamente o estilo literário à mídia on line.

É provável que um webzine bem produzido possa propiciar uma leitura melhor que um jornal online, pois a revista que sai apenas na Web edita seus artigos priorizando as necessidades dos leitores na Internet. Já o conteúdo do site de uma jornal prioriza os leitores de mídia impressa. O importante é estudar o que é publicado na própria Web como referência para ter uma melhor orientação.

O livro começa com capítulos que explicam os conceitos que embasam o hipertexto e estruturação de um site na Web. Para os veteranos, o capitulo 3 “Organizando o Conteúdo de um Site na Web” já seria uma ótima introdução.

O autor oferece ótimas dicas para envolver os leitores da Web com seu estilo literário, destacando: ser sucinto e preciso, manter os parágrafos e sentenças curtos, reduzir os floreios, usar verbos fortes, usar voz ativa, ficar atento ao uso de metáforas elaboradas, escrever e editar tendo em mente leitores internacionais, imprimir o texto para corrigí-lo.

Killian dedicou um capítulo às tecnicas de uso de redação na Web com fins de persuasão ou vendas. Os jornalistas e editores mais experientes das operçãções da Web desejam usar palavras que instiguem o usuário, e não apenas usar palavras limitadas à leitura.

A Web, com mídia, é interativa e não apenas informativa. O livro é abrangente e denota todos os tipos de redação para a Web. As dicas de Killian são tão satisfatórias para os jornalistas da Web como para os escritores de ficção ou os publicitários. No futuro, conforme o autor, as prateleiras das livrarias estarão repletas de publicações de conteúdo para a Web.

O mercado também necessita de livros que ensinem a escrever para Webzines, bem como escrever publicidade para a Web e encontrar mercados para boa redação na Internet. Enquanto as editoras não preencham essa necessidade, o livro de Killian é uma boa opção de trabalho para os jornalistas ajustarem seus próprios estilos nos trabalhos para a mídia on line.